10 anos da Socicom: surgimento, percurso e conquistas

 
Margarida M. Krohling Kunsch
 
Professora titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e ex-presidente da Socicom.
 
Nas últimas décadas, com o avanço da era digital e a evolução dos estudos e das práticas de Comunicação, se registra um crescimento vertiginoso da área no Brasil. Com a criação de novos cursos de graduação e pós-graduação (stricto e lato sensu) e de entidades acadêmicas e científicas, despontaram novos campos do saber que podem ser considerados como impulsionadores para o surgimento, em 2008, da Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (Socicom). 
 
Com o objetivo de abrir um diálogo entre essas entidades e constituir uma federação que pudesse representar de modo articulado os interesses da área frente aos órgãos públicos e privados, bem como contribuir para a formulação de uma política científica, tecnológica e de inovação, foi realizado, sob a liderança de José Marques de Melo, nos dias 31 de agosto e 1º de setembro de 2007, o I Fórum das Sociedades Científicas de Comunicação, em Santos (SP). Como decorrência desse fórum, formou-se uma comissão encarregada de encaminhar os trabalhos para a criação de uma federação, o que ocorreu um ano depois, no dia 2 de setembro de 2008, em Natal (RN). Nascia assim a  Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (Socicom).
 
Nesses 10 anos de existência, graças à força resultante da participação de suas associações afiliadas, a Socicom se firmou no cenário nacional e internacional, contribuindo de maneira significativa para a consolidação e divulgação do pensamento comunicacional brasileiro.
Entre muitas outras iniciativas, a Socicom tem promovido seminários nacionais  para debater os grandes temas do campo da Comunicação, com forte vertente para o estabelecimento de políticas públicas e a democratização  da comunicação no país. Nesse sentido, ela tem articulado  ações  em defesa e para melhoria da qualidade do ensino de graduação, estabelecendo parcerias com órgãos públicos como o Instituto de Pesquisas Econômicas e  Aplicadas (Ipea) e contribuindo  para a criação de entidades  e a  realização de atividades no espaço ibero-americano de Comunicação. 
 
De 2008  até o momento  ela realizou nove  edições do Seminários de Integração Institucional, espaço privilegiado para que as entidades científicas possam não somente estreitar as relações interinstitucionais, mas identificar problemas comuns e consequentemente buscar soluções. Tem promovido também fóruns de debates, com temas contemporâneos do campo das Ciências da Comunicação,  nos congressos nacionais da Sociedade Brasileira de Estudos Interdiciplinares da Comunicação (Intercom).
 
São muitas  as frentes de atuação da Socicom, tanto no âmbito nacional como no internacional. No Brasil, ela tem  participado  ativamente nos debates da formação superior e  em defesa das políticas públicas e democráticas da comunicação, por meio da publicação  de livros e cadernos,  da participação em fóruns, de informativo  no link de conteúdos do seu portal www.socicom.org.br. Juntamente com a Sociedade Brasileira do Progresso para Ciência (SBPC), à qual  é filiada, e com as demais entidades científicas das área da Comunicação e das Humanidades, ela  tem se envolvido nas lutas pelo desenvolvimento científico e tecnológico no país.
 
Diante dos novos desafios colocados à academia – a edição das novas diretrizes curriculares para a área de Comunicação – e à sociedade – a necessidade de se repensar a gestão e políticas públicas de comunicação em tempos de convergência tecnológica e internet – a Socicom criou, em 2014,  duas comissões assessoras: a Comissão 1 – Formação de Recursos Humanos em Comunicação; e a Comissão 2 – Articulação para ação junto à sociedade civil com vistas à contribuição da área de Comunicação para políticas públicas.
 
Outro feito importante que merece destaque  decorreu da necessidade de constituição de uma base de dados com informações atualizadas sobre a área de Comunicação no país,  capaz de centralizar os dados de diferentes fontes, de modo a subsidiar a instalação de um Observatório de Políticas Públicas na área da Comunicação. Dessa forma, graças à atuação do então presidente da Socicom, José Marques de Melo, junto com o assessor de Comunicação do Ipea na época, Daniel Castro, e o empenho do presidente dessa entidade, Marcio Pochman, a Socicom intermediou, no período de 2010 a 2012, uma pesquisa que resultou na publicação de 11 livros. Estes foram frutos do trabalho de estudiosos brasileiros selcionados  que participaram dos editais específicos lançados pelo Ipea  para este fim, em parceria com a Socicom*.
 
No âmbito internacional, a Socicom exerceu papel decisivo  na criação da Confederação Ibero-Americana das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (Confibercom), em 2009,  e da sua  manutenção  nos primeiros anos de existência desta com sede no Brasil. Um dos marcos foi a realização do primeiro Congresso Mundial de Comunicação Ibero-Americana, em 2011, que, liderado pela Socicom,  teve lugar na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP)**. Integraram esse  evento importantes fóruns: Fórum Ibero-Americano de Pós-Graduação em Comunicação; Fórum Ibero-Americano de Política Científica e Tecnológica em Comunicação; e Fórum de Revistas Científicas das Ciências da Comunicação. Esses fóruns foram institucionalizados  e tiveram continuidade nos anos 2012 (Equador), 2013 (Portugal), 2015 (São Paulo) e 2016 (Madri).
 
A Socicom tem exercido também uma forte parceria com a Associação Ibero-Americana de  Comunicação (Assibercom), promovendo conjuntamente seus congressos bianuais e apoiando sua iniciativas em defesa dos avanços da pesquisa em Comunicação e   dos espaços ibero-americanos deste campo junto à comunidade científica internacional.
Para os próximos anos, a Socicom pretende ampliar seus laços internacionais, buscando uma interlocução com entidades de Comunicação de  outras regiões continentais.
 
Tudo  o que a Socicom conquistou e  conseguiu  realizar nos seus 10 anos só foi possível graças à atuação de suas diretorias, do conselho deliberativo, de todas as entidades de Comunicação do Brasil a ela associadas e das congêneres nacionais e regionais dos países que integram a Ibero-América, assim como aos apoios recebidos de universidades e do Ipea. 
 
Os desafios  são muitos para que  a Socicom possa continuar sua missão e atingir plenamente os objetivos para os quais foi criada: “fortalecer a Comunicação como campo do saber, desenvolvendo ações destinadas à sua consolidação como Grande Área de Conhecimento perante a comunidade acadêmica e os órgãos gestores de ciência e tecnologia; representar os associados junto às instituições responsáveis pelas políticas públicas de ciência e tecnologia,  aos órgãos reguladores e avaliadores do ensino superior e às agências de fomento à pesquisa científica, artística e tecnológica no país; e fomentar iniciativas para estimular a cooperação entre instituições congêneres e beneficiar espaços regionais ou segmentos disciplinares considerados estratégicos”.
 
* Estes volumes estão disponíveis para download no site www.socicom.org.br, nos seguintes links: a) Coletânea 2010: <http://socicom.org.br/2014-08-27-14-47-48/panorama-da-comunicacao-e-das-telecomunicacoes-no-brasil-socicom-ipea/2010>;
 b) Coletânea 2011-2012: <http://socicom.org.br/2014-08-27-14-47-48/panorama-da-comunicacao-e- das-telecomunicacoes-no-brasil-socicom-ipea/2011 2012>;
c) Coletânea 2012-2013: <http://socicom.org.br/2014-08-27-14-47-48/panorama-da-comunicacao-e-das-telecomunicacoes-no-brasil-socicom-ipea/2012-2013>.
 
** Para maiores informações consultar a coletânea: KUNSCH, M. M. K.; MARQUES DE MELO, J. (orgs.). Comunicação ibero-americana: sistema midiáticos, diversidade cultural, pesquisa e pós-graduação. São Paulo: Confibercom, ECA-USP, Socicom, 2012.