DE 2017

PONTO DE VISTA

AVANÇOS E RETROCESSOS NA AVALIAÇÃO DOS CURSOS DE JORNALISMO BRASILEIROS

Por Mirna Tonus 1

 

A participação no processo de avaliação dos cursos de Jornalismo no Brasil sempre esteve presente entre as demandas do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), hoje Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (Abej), junto ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

 

Depois de várias manifestações a esse respeito em reuniões com membros do órgão, sobre o processo de aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para os cursos de Jornalismo entre 2012 e 2013, o Inep, por meio da Coordenação-Geral de Avaliação dos Cursos de Graduação e IES, vinculada à Diretoria de Avaliação da Educação Superior (Daes), convidou o Fórum, assim como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) − representada pelas professoras Valci Zucoloto e Carmen Pereira − e membros da Comissão Assessora da área de Jornalismo do Inep, a integrar Comissão Técnica de Jornalismo , em agosto de 2015. Tal convite justificou-se, a priori, pela proximidade do encerramento do prazo para adequação dos cursos de Jornalismo às Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), que se daria em 1º de outubro daquele ano.

 

O objetivo era “garantir a interlocução e a troca de conhecimentos entre o INEP, as Instituições de Educação Superior e a sociedade civil organizada”, conforme convite enviado à presidência do FNPJ. A referida comissão seria responsável por “elaborar um documento orientador que identifique as particularidades desta área do conhecimento como subsídio para o processo de avaliação in loco dos cursos de jornalismo”, de acordo com o mesmo documento.

 

Consultada a diretoria do Fórum, à medida que os custos da participação da presidente e de outro membro da diretoria − compôs a comissão o então diretor científico Rogério Bazi − seriam dispendidos pela entidade, iniciaram-se os trabalhos em reunião realizada no Inep a 24 de setembro de 2015 e a Comissão foi formalmente instituída pela Portaria nº 35, de 21 de janeiro de 2016. As atividades foram encerradas em março de 2016, com a produção do documento orientador e o vislumbre de avanços na avaliação dos cursos de Jornalismo do país, à medida que, depois de um histórico de demandas, reuniões intensivas e um investimento significativo das entidades envolvidas, haveria coerência entre o que se propõe enquanto formação jornalística de boa qualidade e os critérios de avaliação, os quais considerariam documentos e particularidades da área.

 

Com o processo que se constituiu no país para derrubada do então governo de Dilma Rousseff, porém, começou a configurar-se um retrocesso a partir da estagnação do que se encaminhava a partir do trabalho da comissão. O documento produzido, assim como a portaria citada, não pode ser encontrado diretamente no site do Inep, na seção dos documentos vinculados à Avaliação dos Cursos de Graduação, na qual há um intervalo entre 2 de janeiro de 2014 e 4 de maio de 2016 no que se refere a portarias.

 

Em setembro de 2016, quando da realização do 16º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo (ENPJ) em Goiânia, sinalizou-se, no painel “O Inep e a avaliação dos cursos de Jornalismo”, que o processo caminharia. Entretanto, a implantação de novo instrumento, que baseou a construção do documento orientador em questão, não se concretizou até o momento − o site do Inep coloca como vigente o instrumento publicado em 2015 −, inutilizando-o, pelo menos por ora. A formação de novos avaliadores a partir dos documentos atualizados também não se deu nesse período.

 

O que se delineia, neste cenário de descaso quanto à educação superior, é o prolongamento do anacronismo entre o que se espera de cursos de Jornalismo e o que se aplica nas avaliações.

 

1Professora do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia e ex-presidente  do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), gestão 2012-2016

2A nota técnica referente à comissão está disponível em http://download.inep.gov.br/educacao_superior/avaliacao_institucional/nota_tecnica/2016/nt342016_documentos_orientadores.pdf.

3A portaria pode ser consultada em https://www.jusbrasil.com.br/diarios/107528987/dou-secao-2-22-01-2016-pg-25.

4O documento final foi tornado público no link http://download.inep.gov.br/educacao_superior/avaliacao_cursos_graduacao/documentos_orientadores/2016/documento_orientador_jornalismo.pdf, mas passaria ainda por revisões.

5Dirigentes das entidades de ensino, pesquisa e exercício profissional do Jornalismo no Brasil − Abej, SBPJor e Fenaj − reuniram-se com o novo diretor de Avaliação de Ensino Superior (Daes) do Inep, Rui Barbosa de Brito Junior, em março de 2017. Na ocasião, de acordo com matéria publicada no site da Abej (http://www.fnpj.org.br/noticia/entidades-do-jornalismo-se-reunem-com-diretor-de-avaliacao-do-inep-904), ao se discutir a suspensão dos efeitos do documento orientador, o diretor informou tratar-se de “suspensão apenas e que os princípios serão preservados”, bem como estar em elaboração um instrumento de avaliação que demandará ajustes no referido documento.

6O instrumento está disponível em http://download.inep.gov.br/educacao_superior/avaliacao_cursos_graduacao/instrumentos/2015/instrumento_cursos_graduacao_publicacao_agosto_2015.pdf.

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AVANÇOS E RETROCESSOS NA AVALIAÇÃO DOS CURSOS DE JORNALISMO BRASILEIROS

Por Mirna Tonus 1

 

A participação no processo de avaliação dos cursos de Jornalismo no Brasil sempre esteve presente entre as demandas do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), hoje Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (Abej), junto ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

 

Depois de várias manifestações a esse respeito em reuniões com membros do órgão, sobre o processo de aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para os cursos de Jornalismo entre 2012 e 2013, o Inep, por meio da Coordenação-Geral de Avaliação dos Cursos de Graduação e IES, vinculada à Diretoria de Avaliação da Educação Superior (Daes), convidou o Fórum, assim como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) − representada pelas professoras Valci Zucoloto e Carmen Pereira − e membros da Comissão Assessora da área de Jornalismo do Inep, a integrar Comissão Técnica de Jornalismo , em agosto de 2015. Tal convite justificou-se, a priori, pela proximidade do encerramento do prazo para adequação dos cursos de Jornalismo às Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), que se daria em 1º de outubro daquele ano.

 

O objetivo era “garantir a interlocução e a troca de conhecimentos entre o INEP, as Instituições de Educação Superior e a sociedade civil organizada”, conforme convite enviado à presidência do FNPJ. A referida comissão seria responsável por “elaborar um documento orientador que identifique as particularidades desta área do conhecimento como subsídio para o processo de avaliação in loco dos cursos de jornalismo”, de acordo com o mesmo documento.

 

Consultada a diretoria do Fórum, à medida que os custos da participação da presidente e de outro membro da diretoria − compôs a comissão o então diretor científico Rogério Bazi − seriam dispendidos pela entidade, iniciaram-se os trabalhos em reunião realizada no Inep a 24 de setembro de 2015 e a Comissão foi formalmente instituída pela Portaria nº 35, de 21 de janeiro de 2016. As atividades foram encerradas em março de 2016, com a produção do documento orientador e o vislumbre de avanços na avaliação dos cursos de Jornalismo do país, à medida que, depois de um histórico de demandas, reuniões intensivas e um investimento significativo das entidades envolvidas, haveria coerência entre o que se propõe enquanto formação jornalística de boa qualidade e os critérios de avaliação, os quais considerariam documentos e particularidades da área.

 

Com o processo que se constituiu no país para derrubada do então governo de Dilma Rousseff, porém, começou a configurar-se um retrocesso a partir da estagnação do que se encaminhava a partir do trabalho da comissão. O documento produzido, assim como a portaria citada, não pode ser encontrado diretamente no site do Inep, na seção dos documentos vinculados à Avaliação dos Cursos de Graduação, na qual há um intervalo entre 2 de janeiro de 2014 e 4 de maio de 2016 no que se refere a portarias.

 

Em setembro de 2016, quando da realização do 16º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo (ENPJ) em Goiânia, sinalizou-se, no painel “O Inep e a avaliação dos cursos de Jornalismo”, que o processo caminharia. Entretanto, a implantação de novo instrumento, que baseou a construção do documento orientador em questão, não se concretizou até o momento − o site do Inep coloca como vigente o instrumento publicado em 2015 −, inutilizando-o, pelo menos por ora. A formação de novos avaliadores a partir dos documentos atualizados também não se deu nesse período.

 

O que se delineia, neste cenário de descaso quanto à educação superior, é o prolongamento do anacronismo entre o que se espera de cursos de Jornalismo e o que se aplica nas avaliações.

 

1Professora do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia e ex-presidente  do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), gestão 2012-2016

2A nota técnica referente à comissão está disponível em http://download.inep.gov.br/educacao_superior/avaliacao_institucional/nota_tecnica/2016/nt342016_documentos_orientadores.pdf.

3A portaria pode ser consultada em https://www.jusbrasil.com.br/diarios/107528987/dou-secao-2-22-01-2016-pg-25.

4O documento final foi tornado público no link http://download.inep.gov.br/educacao_superior/avaliacao_cursos_graduacao/documentos_orientadores/2016/documento_orientador_jornalismo.pdf, mas passaria ainda por revisões.

5Dirigentes das entidades de ensino, pesquisa e exercício profissional do Jornalismo no Brasil − Abej, SBPJor e Fenaj − reuniram-se com o novo diretor de Avaliação de Ensino Superior (Daes) do Inep, Rui Barbosa de Brito Junior, em março de 2017. Na ocasião, de acordo com matéria publicada no site da Abej (http://www.fnpj.org.br/noticia/entidades-do-jornalismo-se-reunem-com-diretor-de-avaliacao-do-inep-904), ao se discutir a suspensão dos efeitos do documento orientador, o diretor informou tratar-se de “suspensão apenas e que os princípios serão preservados”, bem como estar em elaboração um instrumento de avaliação que demandará ajustes no referido documento.

6O instrumento está disponível em http://download.inep.gov.br/educacao_superior/avaliacao_cursos_graduacao/instrumentos/2015/instrumento_cursos_graduacao_publicacao_agosto_2015.pdf.