Nº DE 2017

Agenda das Filiadas

Manipulações midiáticas em perspectiva histórica

Por Ana Regina Rêgo*
 
Manipulações midiáticas, este foi o tema do XI Encontro Nacional de Pesquisadores em História da Mídia promovido pela ALCAR – Associação Brasileira de Pesquisadores em História da Mídia e realizado na Universidade Presbiteriana Mackenzie entre os dias  8 e 10 de junho.  
 
A intenção da ALCAR ao trazer para o debate em conferências, em várias mesas redondas e em Grupos Temáticos, um assunto tão atual e ao mesmo tempo tão antigo e polêmico, foi proporcionar o encontro entre as narrativas do passado e do presente, não com o objetivo de trazer lições do passado, mas com o intuito de fomentar o debate, levantar questões a partir de olhares sobre as experiências de um presente já passado, ventilando fazer pensar e quem sabe mudar os horizontes de expectativas que se anunciam para o nosso país.
 
 O Brasil e o mundo enfrentam nos dias atuais, crises de diversas naturezas. A democracia representativa brasileira encontra-se mais uma vez ameaçada e a comunicação e os complexos midiáticos que lhes dão suporte tem considerável responsabilidade nesse contexto, assim como, o tiveram no passado.
 
Durante o congresso em São Paulo, houveram vários momentos em que ricos exemplos sobre o tema, foram explorados. Peter Burke, historiador inglês, que realizou a conferência de abertura, ao desconstruir a pós-verdade e confrontá-la com algo bem mais comum e antigo: a mentira, retomou o tema de seu livro A fabricação do rei, que trata sobre o aparato comunicativo utilizado por Luís XIV, o Rei Sol,  para construção de sua imagem. O historiador não poupou palavras para se referir criticamente à mídia atual, inclusive, ao jornalismo brasileiro e alguns de seus ícones.
 
Em outro momento do evento, Marialva Barbosa, historiadora e jornalista brasileira, abordou práticas jornalísticas do passado, especificamente concernentes à crise do último governo de Getúlio Vargas, que culminou com o suicídio do Presidente;  e confrontou com as práticas do presente, mostrando que se retirarmos os nomes dos personagens do passado e a data do jornal e colocarmos os personagens da atualidade, teremos grande similaridade com o que hoje se visualiza no jornalismo brasileiro.
 
Ao longo de três dias, o evento reuniu cerca de 500 pesquisadores que tiveram a sua disposição 14 mesas redondas e  9 Grupos Temáticos onde foram apresentados mais de 300 trabalhos que orbitavam em torno de algum assunto relacionado às várias possibilidades de manipulação nos diversos suportes, processos e práticas das áreas da comunicação.
 
A parceria ALCAR-Mackenzie conseguiu proporcionar aos participantes um congresso rico em atrações com grande qualidade, cumprindo com a missão da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia que, enquanto instituição científica, tem como intuito incentivar a pesquisa e disseminar o conhecimento, mas, também, e, principalmente, criar laços  e estruturar uma rede de pensadores para explorar o passado do campo, como também, refletir sobre seus processos e práticas, e, para além disso, sobre sua essência. 
 
Ao final do congresso foi divulgado o calendário para os próximos anos. Em 2018 a ALCAR realizará os cinco regionais, sendo que 3 deles já estão confirmados: região sul que será realizado na Universidade Federal de Santa Maria no Rio Grande do Sul; região nordeste que vai acontecer na UNICAP localizada em Recife-Pernambuco; região sudeste que está programado para a UniBH em Belo Horizonte-Minas Gerais. 
 
Em breve a diretoria da ALCAR estará divulgando os eventos do norte e centro-oeste. E, em 2019 o XII Encontro Nacional de Pesquisadores em História da Mídia será realizado na Universidade Federal do Piauí. 
 
*É presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia e diretora de relações internacionais da Socicom. 
 
 
Solenidade de abertura do XI Encontro Nacional de Pesquisadores de História da Mídia
Foto: Alcar 2017
 
 

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Manipulações midiáticas em perspectiva histórica

Por Ana Regina Rêgo*
 
Manipulações midiáticas, este foi o tema do XI Encontro Nacional de Pesquisadores em História da Mídia promovido pela ALCAR – Associação Brasileira de Pesquisadores em História da Mídia e realizado na Universidade Presbiteriana Mackenzie entre os dias  8 e 10 de junho.  
 
A intenção da ALCAR ao trazer para o debate em conferências, em várias mesas redondas e em Grupos Temáticos, um assunto tão atual e ao mesmo tempo tão antigo e polêmico, foi proporcionar o encontro entre as narrativas do passado e do presente, não com o objetivo de trazer lições do passado, mas com o intuito de fomentar o debate, levantar questões a partir de olhares sobre as experiências de um presente já passado, ventilando fazer pensar e quem sabe mudar os horizontes de expectativas que se anunciam para o nosso país.
 
 O Brasil e o mundo enfrentam nos dias atuais, crises de diversas naturezas. A democracia representativa brasileira encontra-se mais uma vez ameaçada e a comunicação e os complexos midiáticos que lhes dão suporte tem considerável responsabilidade nesse contexto, assim como, o tiveram no passado.
 
Durante o congresso em São Paulo, houveram vários momentos em que ricos exemplos sobre o tema, foram explorados. Peter Burke, historiador inglês, que realizou a conferência de abertura, ao desconstruir a pós-verdade e confrontá-la com algo bem mais comum e antigo: a mentira, retomou o tema de seu livro A fabricação do rei, que trata sobre o aparato comunicativo utilizado por Luís XIV, o Rei Sol,  para construção de sua imagem. O historiador não poupou palavras para se referir criticamente à mídia atual, inclusive, ao jornalismo brasileiro e alguns de seus ícones.
 
Em outro momento do evento, Marialva Barbosa, historiadora e jornalista brasileira, abordou práticas jornalísticas do passado, especificamente concernentes à crise do último governo de Getúlio Vargas, que culminou com o suicídio do Presidente;  e confrontou com as práticas do presente, mostrando que se retirarmos os nomes dos personagens do passado e a data do jornal e colocarmos os personagens da atualidade, teremos grande similaridade com o que hoje se visualiza no jornalismo brasileiro.
 
Ao longo de três dias, o evento reuniu cerca de 500 pesquisadores que tiveram a sua disposição 14 mesas redondas e  9 Grupos Temáticos onde foram apresentados mais de 300 trabalhos que orbitavam em torno de algum assunto relacionado às várias possibilidades de manipulação nos diversos suportes, processos e práticas das áreas da comunicação.
 
A parceria ALCAR-Mackenzie conseguiu proporcionar aos participantes um congresso rico em atrações com grande qualidade, cumprindo com a missão da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia que, enquanto instituição científica, tem como intuito incentivar a pesquisa e disseminar o conhecimento, mas, também, e, principalmente, criar laços  e estruturar uma rede de pensadores para explorar o passado do campo, como também, refletir sobre seus processos e práticas, e, para além disso, sobre sua essência. 
 
Ao final do congresso foi divulgado o calendário para os próximos anos. Em 2018 a ALCAR realizará os cinco regionais, sendo que 3 deles já estão confirmados: região sul que será realizado na Universidade Federal de Santa Maria no Rio Grande do Sul; região nordeste que vai acontecer na UNICAP localizada em Recife-Pernambuco; região sudeste que está programado para a UniBH em Belo Horizonte-Minas Gerais. 
 
Em breve a diretoria da ALCAR estará divulgando os eventos do norte e centro-oeste. E, em 2019 o XII Encontro Nacional de Pesquisadores em História da Mídia será realizado na Universidade Federal do Piauí. 
 
*É presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia e diretora de relações internacionais da Socicom. 
 
 
Solenidade de abertura do XI Encontro Nacional de Pesquisadores de História da Mídia
Foto: Alcar 2017